11 de julho de 2014

Troca de cartas entre mamãe que trabalha fora e mamãe em tempo integral.


Hoje me deparei com um post no blog Mamãe de Casa - da Karen e não pude de jeito nenhum deixar de compartilhar. 
Eu já falei aqui em outras ocasiões que eu não trabalho fora! Desde muito tempo, talvez ainda criança, mas já entendendo bem meus motivos e princípios, eu sempre dizia que quando eu tivesse meus filhos eu iria me dedicar a eles.  O tempo foi passando, fui estudando, e minha concepção não mudou. (pausa para trocar a fralda)
Na verdade, depois que me formei eu trabalhei fazendo substituição em algumas escolas e a maior parte do tempo estive em serviço voluntário (que eu amo demais - dps coloco fotos pra vcs) e pra ser sincera eu nem tenho carteira de trabalho assinada. Também me envolvi aos poucos no mundo de Design de Festa e quando me descobri grávida pensei: Se não "trabalhei fora" até agora, não vai ser agora que vou começar... E faço minhas as palavras da Karen: pra cuidar, educar e construir o caráter - construir o caráter do meu filho, com as minhas próprias mãos!
E por isso já recebi várias críticas e algumas delas muito dolorosas. Até porque, quando a gente passa pelo processo de ter um filho nosso corpo muda, nossos hormônios estão fazendo um festival dentro de nós e   parece que as mães se esquecem que já passaram por momentos assim e não pensam duas vezes antes de criticar como se elas fossem mais mulheres que nós ou ainda, mães melhores e com mais razão que nós... esses dias mesmo recebi umas espetadas: "você não tem o que fazer mesmo...", "eu não posso mas pra você que tem tempo dá pra fazer..." essas coisas machucam o estado de espírito sabe! Devemos cuidar com o que falamos porque nunca sabemos como a pessoa está por dentro... Porque as mães tem que guerrear? Elas deveriam se unir... Mas chega de falar porque estas duas cartas já falam por mim... 

Carta de uma mãe em tempo integral para uma mãe que trabalha fora

Cara Mãe que trabalha fora,

Eu sei que, às vezes, você é julgada por deixar seus filhos aos cuidados de outras pessoas para trabalhar. Algumas pessoas até sugerem que você não ama os seus filhos, tanto quanto nós, mães em tempo integral, e que é melhor para as crianças a ficar em casa com suas mães. 

Como podem dizer isso a você? Eu sei que você ama os seus filhos, tanto quanto qualquer outra mãe. Eu sei que vou voltar ao trabalho não foi uma decisão fácil. Você pesou os prós e os contras, muito antes de conceber um bebê. Esta sempre foi uma das decisões mais importantes de sua vida.  

Eu vejo você em todos os lugares. Você é a médica que eu levo os meus filhos quando estão doentes. Você é a alergologista do meu filho, aquela que diagnosticou a sua alergia ao amendoim. Você é a fisioterapeuta que cuidou do meu marido. Você é a contadora que faz nossas declarações fiscais. A professora da escola primária do meu filho. A diretora do nosso centro de acolhimento de crianças. Professora de ginástica da minha filha. A corretora imobiliária que vendeu a nossa casa. Que tipo de mundo teríamos se você não estivesse lá por nós? Se você tivesse sucumbido às pressões daqueles que insistiam que o lugar de uma mãe é em casa? 

Eu sei que você leva em consideração a sua família em todas as propostas de trabalhos. Eu sei que você acorda uma hora antes que todo mundo, pois só assim você pode fazer algum exercício ou ter algum tempo de silêncio. Eu sei que você já participou de reuniões após ficar acordada a noite toda com o seu bebê. Eu sei que quando você chega em casa à noite, o "segundo turno", começa. Os críticos não entendem que você cuida da sua família e mantém um emprego. Você chega em casa, faz o jantar, dábanho nos seus filhos e lê histórias para eles. Você os enche de beijos de boa noite. Você paga as contas, faz as compras de supermercado, lava a roupa, os pratos, assim como qualquer outra mãe faz. 
Eu sei que, muitas vezes, você se sente culpada por passar tanto tempo longe de seus filhos e sacrifica o seu tempo livre. Eu sei que você não pode tirar um "dia de folga" enquanto seus filhos estão na creche. Eu sei que você passou a aceitar que o trabalho é o seu "tempo livre" agora. Eu sei que quando você está no trabalho que você não desperdiça um único minuto. Eu sei que você almoça em sua mesa, não sair para tomar um café e é totalmente dedicada e concentrada em seu trabalho. Afinal você decidiu estar lá depois de tudo. Você quer estar lá. 

Eu sei como você é exigente com relação a quem está cuidando de seus filhos, e que esse cuidado é confiável. Eu sei que você só deixar seus filhos em um lugar onde você tem certeza de que eles serão amados e bem cuidados. Eu sei que você passar muitos dias cuidando de seus filhos em casa quando estão doentes, e sei que sacrifica a sua remuneração. Eu sei que, secretamente, você gosta destes dias, e se realiza por estar com seus filhos. 

Eu sei que, às vezes, você se sente culpada por não estar lá o tempo todo. Mas mãe que trabalha fora, eu sei disso. Você está dando um exemplo maravilhoso para os seus filhos. Você está mostrando a eles que uma mulher pode ter uma carreira, contribuir de alguma forma fora de casa, e ainda ser uma mãe amorosa. Você está mostrando para as suas filhas que eles podem fazer o que quiserem de suas vidas. Você está mostrando força, resistência, dedicação, persistência e você está fazendo isso com muita alegria e amor. 

Eu apenas queria que você soubesse que eu entendo. Porque nós duas somos mães. 
Saudações das trincheiras,
Mãe em tempo integral.

Carta de uma mãe que trabalha fora para uma mãe em tempo integral

Cara Mãe em tempo integral,
Algumas pessoas têm questionado o que você faz em casa o dia todo. Eu sei o que você faz. Eu sei porque eu sou uma mãe e por um tempo eu fiz isso também. 

Eu sei que você faz o trabalho não remunerado, muitas vezes o trabalho ingrato, que começa no momento em que você acorda e nem termina quando você vai dormir. Eu sei que você trabalha aos fins de semana e durante a noite, 
sem
 que consiga identificar com clareza quando acaba o seu dia ou quando chega o final de semana. Eu sei que as recompensas existem, mas nem sempre são muitas. 

Eu sei que raramente você consegue tomar uma xícara de café ou chá. Eu sei que sua atenção está sempre dividida e que quase sempre começa uma nova tarefa antes de, sequer, ter terminado a outra. Eu sei que você, provavelmente, não consegue um tempo para descansar, mesmo estando em casa, a menos que você tem um filho único que ainda tire alguns cochilos durante o dia. 

Eu sei dos seus desafios diários, geralmente sem o apoio do seu marido. As birras, os acidentes do desfralde, as batalhas na hora da comida, a comida no chão, o giz de cera na parede, a rivalidade entre irmãos, o bebê que parece nunca parar de chorar. Eu sei como o trabalho parece incessante, como um ciclo sem fim - você compra alimentos, prepara, cozinha, tenta dar para seus filhos, limpa o chão, lava os pratos e repete isso de três em três horas. 

Eu sei que você fantasia ter uma hora a si mesma para comer em paz, ou tirar um cochilo à tarde. Eu sei que às vezes você se me pergunta se tudo vale a pena e sente inveja de suas amigas que tem pausas para um café no meio do expediente. Eu sei que, às vezes, quando seu marido chega em casa à noite, após um dia de trabalho e quer colocar os pés para cima justo quando você precisa de um alívio e isso te dá vontade de chorar. 
Eu sei que você é incompreendida por muitos que não entendem as dificuldades de cuidar dos filhos pequenos sozinha, o dia todo, e se referem a você como alguém que está curtindo a vida. Eles imaginam que você passa o seu dia tomando café enquanto seus filhos brincam em silêncio. Eu sei que você perdeu a sua independência financeira. Eu sei que você acha engraçado e, às vezes, irritante quando alguém fala "graças a Deus, hoje já é sexta-feira!".  Porque, para você, todo dia é a mesma coisa - não há sexta-feira, nem pausa alguma em seu trabalho. Eu sei que muitas pessoas não entendem que você trabalha - você simplesmente trabalha, mas não é remunerado e é em casa. 

Mãe em tempo integral, eu não sei como você consegue fazer tudo isso. Eu admiro a sua paciência infinita, a sua capacidade para enfrentar cada dia com um sorriso e levar alegria para a vida de seus filhos, mesmo quando eles te desafiam. Admiro sua dedicação em ser uma presença constante na vida de seus filhos, mesmo que nem sempre seja uma tarefa fácil. Admiro a maneira como você trabalha sem esperar qualquer recompensa - sem promoções, sem fama, sem salário. Eu sei que você quer que seus filhos se sintam importantes e amados, e mãe em tempo integral, isso é o que você faz de melhor. 

Eu apenas queria que você soubesse que eu entendo. Nós duas somos mães. E eu sei.
Saudações das trincheiras,
Mãe que trabalha fora.

5 comentários:

  1. Oii querida!, tudo bem? Saudades de vc por lá..

    Menina, ainda não tenho filhos :´( mas confesso que não me vejo sem meu trabalho. Sei que é fácil falar agora que ainda não tenho um criaturinha que eu ame mais que tudo que deixar sozinha, mas eu acho que tudo depende da situação de cada uma. No meu caso além de eu amar o que faço e me sentir realizada trabalhando e penso que não é possível só com os rendimentos do meu marido sustentar a casa sozinho. Sei lá..
    Mas que carta mais linda, adorei. Tomei a liberdade de salvar no meu computador pra ler outras vezes no futuro.

    Beijoooos

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  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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    1. Aiiii, poxaa, removi sem querer... alguém sabe como reverter?

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  3. Menina, amei... amei mesmo!
    Aqui estou na trincheira das mães que trabalham fora, mas pensando seriamente (e fazendo contas, e pesando os prós e contras financeiros) em trocar de trincheira. Ainda não fiz porque ainda não deu... meu salário pesa em casa, e faz falta, mas eu realmente acho que essa "briga" não faz sentido. Cada uma com sua escolha, suas dificuldades, e vivenciando os prós e contras de suas opções. Decididamente, nenhuma é fácil... mas vamos vivendo essa vida de abdicações por nossos filhos, até que um dia eles cresçam e nós cheguemos a conclusão que faríamos tudo isso novamente, por eles!!!
    um beijo! e parabéns pela linda e verdadeira postagem!!

    http://www.mamaeaprendiz.com/

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  4. Minha querida, olá!
    Preciso dizer que vc, além de tudo, me surpreende?!

    Eu poderia escrever zilhões de palavras diante do seu breve mas sensível relato, mas acho que basta dizer: "Faço minhas as suas palavras, Débora. Em gênero, número e grau! Compartilho da sua dor, amiga!" Aliás, vamos conversar mais sobre isso?
    Com relação às cartas, o que dizer?
    Que estas duas mães sejam o exemplo para todas aquelas que vivem guerreando, querendo ser as donas da razão!
    Estou profundamente emocionada - é hj é dia mesmo! rs... Depois do que vc escreveu pra mim lá nos comentários do Meu Doce Lar, agora esse post... aja coração, viu! rs

    Posso te pedir uma coisa?
    Eu poderia tbm postar essas cartas lá no blog?

    Bjs no coração!
    Deus abençoe!

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