6 de dezembro de 2015

Minha amiga secreta é uma mãe que...


Eu estava com uma necessidade intensa de escrever sobre esse assunto. Acredito que isso vinha mais da necessidade de organizar meus pensamentos. Andava pensando tanto nos primeiros meses do nascimento do Nícolas que até acordei de madrugada pensando nos sentimentos e experiências que vivi e como seria agora com o segundo filho.

Por meio de uma amiga encontrei esse texto que vou compartilhar da Silvia Barbieri, com o qual me identifiquei muito. Convido vocês a refletirem! E se você é uma mãe que se sente tocada, o meu abraço a você. 


#‎minhaamigasecreta ganhou bebê a 54 dias, ela está muito triste porque começou a dar uma fórmula infantil para o seu bebê, ela preparou os seios para amamentar a gravidez toda, era seu sonho. Mas diziam que seu peito era pequeno, seu mamilo era invertido.
Minha amiga saiu do hospital com todas as orientações de cuidados com o recém nascido, mas esqueceram dos cuidados com a recém mãe.
Mas ficar triste não é permitido! Você é mãe, diziam, sua obrigação é ser feliz e receber as visitas linda, penteada e sorridente!
Minha amiga secreta não aguentava ver o bebê chorando, diziam que ele tinha fome, que ele tinha cólica, talvez frio, afinal não é normal um bebê chorar. Bebês da televisão não choram!
Minha amiga secreta, dava mamar de meia em meia hora, mas diziam que não era fome, ele havia acabado de mamar, ela estava exausta, diziam que o bebê queria chupetar, diziam "vamos dar uma chupeta", "colo demais estraga".
Minha amiga secreta me disse que seu peito estava ferido, ela passava tudo o que lhe falavam, mas doía muito e o bebê queria mamar o tempo todo, com a chupeta e o bebê começou a mamar menos, o leite dela empedrou, ela teve febre, e a dor era enorme, diziam para ela não dar mamar porque a infecção ia passar para o bebê.
Minha amiga secreta não sabia o que estava acontecendo, ele não ganhou peso esperado de 1kg por mês no retorno do pediatra. E mais uma vez saiu com receita do leite X, e diziam "teu leite é fraco".
Minha amiga secreta me disse que o bebê mamava de hora em hora, e ela não dormia, mas ela dava a mamadeira o bebê dormia mais, ela estava feliz porque ainda amamentava, mas diziam "seu leite não sustenta", "você tem pouco leite,teu leite é água", mas davam água, chás porque diziam que o bebê tinha sede.
Minha amiga secreta amamentou por 342 dias, me disse que o bebê começou a rejeitar o peito, que desmamou "naturalmente" e seu leite secou.
Minha amiga secreta é a sua amiga, a vizinha, uma irmã. É a brasileira que mantém a média da amamentação prolongada de 342 dias e 54 dias de amamentação exclusiva, porém a OMS recomenda amamentação exclusiva de 6 meses e prolongada até 2 anos ou mais.
Mas por que minha amiga não consegui?
Porque esqueceram de dizer como era difícil, esqueceram de dizer que bebês choram, que precisam de colo, que precisam de peito, que precisa da mãe. Que vamos chorar com o bebê, vamos chorar no banheiro. E essa mãe precisa de apoio, permita que ela se sinta cansada.
Que os seios não precisam de preparo, mas psicológico sim.
Que seio grande, pequeno, bico invertido, podem amamentar, que todas podem, que não é privilégio de poucas, salvo casos raros.
Porque esqueceram de dizer que chupetas e mamadeiras causam confusão de bicos e levam ao desmame precoce.
Esqueceram que NÃO existe leite fraco, o apoio que é fraco!
Porque esqueceram que essa mãe é recém nascida e não é fácil amamentar, que o bebê precisa ser ensinado, que se dói está errado, que não precisa parar de amamentar, é só corrigir a pega.
Porque esqueceram de falar que cada bebê é único, que o bebê da vizinha que está muito mais gordinho fica lá na casa da vizinha e sua atenção deve ser voltado somente para o seu bebê.
Esqueceram de perguntar como ela estava, se ela precisava de ajuda, que lave a louça na pia, de dormir, de um abraço.
Esqueceram que a livre demanda não é fácil, que ser mãe não é fácil, a gente perde o sono, perde o juízo mas vale a pena.
Esqueceram de nos avisar que vai passar, que é só um pico, um salto, uma vacina, um dente, uma fase, mas vai passar! Tu é mulher, tu consegue guerreira!
Menos palpite e mais sororidade!

Como mãe de primeira viagem, eu ouvi muito as pessoas. Eu sei que todos querem ajudar mas muitos se baseiam em mitos, em experiências da amiga da vizinha, esteriótipos e acham que os novos estudos da ciência são frescura... Fico aqui pensando, como seria bom que as mulheres mais experientes na maternidade acolhessem uma nova mãe com apoio e boas vibrações. Mas geralmente ela é rodeada de pessoas que vem até a mãe que está em puerpério, com experiências negativas, comparações e conselhos que desmotivam e incentivam a mulher a seguir pelo caminho mais fácil em um momento que ela está tão frágil.

Eu ouvi de um pe-di-a-tra que meu leite não sustentava meu filho. Quando estamos nesta fase inicial de adaptação, com um turbilhão de mudanças hormonais, físicas e emocionais ficamos muito inseguras. Mesmo sabendo que era da natureza do meu filho não ser gordinho como os outros bebês eu fiquei com medo. Meu Nícolas nunca foi um bebê gordinho. Desmamou antes do que eu sonhava e do era melhor pra ele. Se você já viu o post aqui  no blog sabe um pouquinho do meu sofrimento. Demorou um tempo pra eu entender o porque tudo tinha acontecido. Enfim, foram muitas experiencias que não cabem num post só. Mas deixo aqui o meu pedido:

Mais sororidade por favor!

2 comentários:

  1. òtimo texto, parabéns! Esse momento quando a gente para de ser mulher e se torna mãe é bem complicado mesmo, aff... é de enlouquecer, mas tudo passa e a gente aprende a duras penas,

    Bjos e uma boa semana,
    http://www.dmulheres.com.br/

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  2. Muito legal esse texto, Débora. Ele reflete bem o que todas as mães passam com seus bebês.
    Essa é uma fase muito difícil para as mães, principalmente quando é o primeiro filho. Graças a Deus eu não levei a sério tudo o que ouvi, caso contrário eu teria enlouquecido.
    beijos

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